Balanço de vida

março 16, 2011 at 12:42 am 3 comentários

13/11/2007

Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz.

(Vida – Chico Buarque)

 

É chegada a hora de fazer um balanço de minha trajetória de vida. Tenho muitos amigos que nestas horas afirmam que fariam exatamente tudo de novo e outros que acham que fizeram tudo errado.

Creio que ambos estão totalmente errados.

Uma avaliação séria de minha vida deve me permitir olhar para trás e contabilizar as coisas boas e más que eu fiz.

Tem sido bom ajudar muitos alunos(as) a encontrar a chave certa que permite abrir a porta para o sucesso profissional e para o exercício crítico da cidadania. Tenho os ajudado a compreender que a vida é um desafio, algo muito especial e de difícil explicação científica.

Sempre estimulo meus alunos(as) a ter uma postura propositiva em relação aos graves problemas que afligem a sociedade contemporânea. Sei que é muito fácil sucumbir ao pragmatismo, pensar apenas em nosso sucesso profissional e em nosso conforto material.

Mas sempre quando pergunto a estes jovens qual seria o real sentido da vida? Aí as palavras ficam aprisionadas e, em geral, não se tem resposta para esta questão que envolve a nossa existência.

A minha resposta para esta questão é muito simples. Faça algo que o torne feliz, porque o que você realizou ajudou a construir a felicidade de outros.

Meus alunos Fiterlinge, Jean, Edivan e Bruno, estudantes da Escola Estadual Palmira Gabriel são garotos que apesar da muito jovens compreenderam muito bem que podem ser pessoas bem sucedidas, mantendo um forte engajamento com trabalhos sociais.

Eles começaram como outros garotos da escola participando do Projeto de Monitoria Escolar e passaram a frequentar o curso de informática que ministro no Laboratório da Escola. Foi muito bonito observar o processo de crescimento pelo qual passaram. Eis algo bom que posso contabilizar…

Rápido chegaram à condição de monitores no laboratório de informática. Passaram a ensinar os outros estudantes da escola e um dia me surpreenderam com a afirmação que gostariam de compartilhar o que aprenderam com a juventude que reside no entorno da escola.

Eles, então, criaram com apoio da direção da escola, o Projeto de Informática que abriria o nosso laboratório para comunidade aos finais de semana. Uma experiência bem sucedida que tornou nosso escola uma referência em trabalho de inclusão digital. Uma demonstração de que a escola pública pode ser produtiva, engajada e de boa qualidade.

Na verdade esses garotos fizeram muito mais, pois passaram a gerenciar o laboratório de informática. Algo muito próximo da Autogestão (quando um organismo é administrado pelos seus participantes em regime de democracia direta) ou seria os meninos e o povo no poder, como descrito na letra da música de Milton Nascimento e Fernando Brant “Coração Civil”?

Eles têm me ensinado que é preciso acreditar na juventude, que uma escola que não acredita na responsabilidade e engajamento de seus alunos está destinada ao fracasso.

Sei que um dia eles, também, vão parar para refletir sobre o que fizeram. Será o balanço de vida.

Lembrarão dos momentos felizes que vivemos juntos, dos cursos que ministraram, das cerimônias de entrega de certificados, das centenas de jovens e adultos que foram incluídos digitalmente, através do projeto que eles criaram.

Recordarão do dia que eu levei o Jean para receber o primeiro cheque do Projeto Escola de Portas abertas, felicidade registrada em foto com direito a pose ao lado da Diretora da Escola Aldebaro Klautau.

Com certeza, também, não esquecerão do dia que me perguntaram se professor pode namorar com as alunas. Eu de forma muito séria (muito cheio de dúvidas) tive que desestimulá-los da ideia de namorar com as garotas que frequentavam o curso de informática aos sábados na escola.

E o meus erros? Foram muitos. Confesso que gostaria de repará-los um a um, mas descobri com o passar do tempo que em sua grande maioria são irreparáveis.

Por isso, dedico tão poucas linhas sobre os equívocos que cometi.

Nós seres humanos, somos assim, temos dificuldades de admitir as falhas, de pedir desculpas.

Somos prepotentes, arrogantes ou simplesmente temos dificuldade de reconhecer, aprender e crescer com os nossos erros

Imagem: Google

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3 Comentários Add your own

  • 1. Diógenes Brandão  |  março 16, 2011 às 2:15 am

    A trajetória de vida de um homem em certa medida pode ser auto-avaliada pelos bens que acumulou ou as mulheres que conquistou e/ou os títulos, prêmiações, enfim…

    Quando conheço a história de homens que plantaram e conseguem prever os frutos que deixarão para o futuro, percebo o quanto são valorosos os homens e as mulheres que dedicam suas vidas para a educação.

    Por fim, lembrei-me de um texto anônimo que li num livro de Paulo Coelho e deixo-o para selar este comentário:

    A tradição diz que cada pessoa ,em sua existência, pode ter duas atitudes: Construir ou Plantar. Os construtores podem demorar anos em suas tarefas,mas um dia terminam aquilo que estavam fazendo. Então param, e ficam limitados pelas próprias paredes que construíram. A vida perde o sentido quando a construção acaba.

    Mas existem os que plantam. Estes à vezes sofrem com tempestades, as estações, e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, o jardim jamais pára de crescer. E, ao mesmo tempo que exige a atenção do jardineiro, também permite que, para ele a vida seja uma grande aventura.

    Os jardineiros se reconhecerão entre si, porque sabem que na história de cada planta está o crescimento de toda a Terra.

    Brida, Paulo Coelho.

    Responder
  • 2. Andréa Cozzi  |  março 16, 2011 às 2:35 am

    Pra não dizer que não falei das flores!!Não é professor?
    _____________________________________________________
    Blogueiro,
    Afinal, a vida não é tão ruim!!!!!

    Responder
  • 3. Diógenes Brandão  |  março 16, 2011 às 1:41 pm

    O prestigiado site Congresso em Foco foi dar uma balançada no seu sucessor tucano e olha o que acharam:

    http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=21&cod_publicacao=36373

    Responder

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